Caminos
das Pedras - No início o atendimento
era bem caseiro, tipo fazenda mesmo. Algo na linha
"tenho uma casa e recebo as pessoas".
O próprio Oliveira recebia, gerenciava, etc.
Mas, comprovando que o turismo rural é um
atividade em plena expansão, o negócio
começou a crescer. "Minha nova esposa
me ajudou muito a implantar uma mentalidade de hotel,
de empresa. Nos modernizamos, melhoramos as instalações,
instalamos cozinha e lavanderia industriais, e melhoramos
a arrumação. Fomos criando um sistema
nosso de trabalho, improvisando um pouco por esse
lado da fazenda, mas já com uma mentalidade
profissional", avalia.
Como era bem informal acabou
causando estranheza a um ou outro hóspede
mais exigente, mas isso não impediu que o
Fazendão crescesse. Atualmente, uma equipe
muito boa, funcional, mantém o padrão
das refeições e o atendimento num
nível impreensível.
No que diz respeito às transformações,
as obras e intervenções foram muito
grandes, principalmente pela característica
montanhosa da região. "Tivemos que 'mover
montanhas' literalmente", ironiza Fábio.
O fato é que barrancos de até 10 metros
de altura foram removidos para viabilizar o aumento
das instalações.
"Empurramos o morro, pois
a casa estava encostada num barranco e tivemos que
mexer nele para construir. Na verdade aqui só
tinha mesmo uma casa - que tem valor histórico
- e a cachoeira. Ao restaurante nós fomos
ajeitando", completa.
Aos poucos foram sendo implantadas
atividades e melhorias, como: arborização,
passeio a cavalo, animais para ordenha, lago para
pesca, equipes de monitores, jogos e videogames,
quadras de volei, tênis, futebol e biribol,
além de piscinas. "Tivemos uma primeira
fase mais heróica, em que realmente houve
um ivestimento muito alto, pois a obra era muito
grande, isso até começar a ter cara
de hotel. Agora estamos dando continuidade ao crescimento.
Normalmente temos acrescentado
dois ou três quartos por ano - estamos com
23 - e nessa média vamos no adaptando gradativamente",
analisa.
Andando pelas instalações
se percebe a expansão: um novo salão
de jogos, um sação de convenções
e mais quatro quartos estão sendo preparados.
Qualidade
e seriedade - uma das poucas coisas que podem
desanimar que entra nessa área é o
tempo. O turismo rural requer um investimento contínuo,
o que significa o retorno a longo prazo, tem que
ser tipo um projeto de vida pessoal. "Não
se pode esperar retorno imediato, tem que ter a
conciência de que se vai terminar a vida como
hoteleiro", alerta Fábio Oliveira.
Essa pode ser uma saída
para propriedades pequenas, que estão sem
alternativa, com dificuldades para se sustentar.
"Na região de Santa Branca mesmo, a
única alternativa tem sido a plantação
de eucalipto, que é uma coisa destrutiva,
pois a curto prazo se perde o terreno", avalia
Oliveira. Como é uma região montanhosa,
a criação de gado, produção
de leite, por exemplo, torna-se inviável.
A menos que se invista em alta tecnologia. Sem a
alternativa do turismo rural, o Fazendão
estaria hoje apenas na memória dos moradores
da região.
Há outro detalhe para
o qual o proprietário deve ficar atento.
Há 15 anos haviam poucas opções
de turismo dessa natureza, hoje porém a atividade
está em alta, por isso é preciso muita
seriedade. "Temos muita procura, principalmente
de quem tem filhos. Ponderando entre ir a um hotel
de praia ou de campo, o hóspede pensa: para
a praia tem o trânsito caótico. Então
esses hotéis com apelo do campo, próximo
dos grandes centros - até uns 150 km - com
estrada boa são uma boa opção",
ensina Fábio. "Quem vem com filhos quer
enfrentar uma viagem curta e, se possível,
sem nada de terra no caminho. É engraçado,
o pessoal quer chegar de carro, se possível
com asfalto até aqui dentro", conta.
No entanto, a partir do momento que cruzam o portão,
querem fazer de tudo, menos o que fazem na cidade:
pescar, andar a cavalo, tirar leite de vaca, respirar
ar puro, mas tudo isso num ambiente limpo, num lugar
bonito, gostoso e, ainda, ter conforto.
É necessário
investir em equipamentos corretos, pessoas treinadas,
bom atendimento de uma maneira geral. "Nós
temos um atendimento personalizado, um jeito informal
que agrada, mas com muita eficiência. Não
se brinca em serviço, temos uma rotina com
uma boa produção. Isso é muito
importante, principalmente quando estamos completamente
lotados, pois conseguimos manter o padrão
de atendimento", analisa Fábio.
Uma propriedade que se propõe
a oferecer turismo rural tem que ter organização,
calcular, fazer uma boa projeção.
Não pode haver, por exemplo, imprevistos
com alimentação. Imagine acabar a
comida no meio do almoço! É um erro
irreparável de atendimento. Aliás,
nessa área tem que haver profissionalismo,
pois envolve problmas com higiene. Todos que se
apresentar bem, com unhas limpas, roupas limpas,
enfim, o assio é fundamental. Como hospedagem
é um serviço público, acaba
tendo obrigações sérias perante
o código de defesa do consumidor. Nas localidades
não atendidas por um empresa estadual de
tratamento de água, é necessário
um controle muito rigoroso da água potável,
esgoto, etc.. O estrago que uma contaminação
causa pode acabar com um negócio antes mesmo
de ele começar.
"É necessário
muito cuidado! Os problemas não estão
só no espaço físico, na obra,
etc.. O proprietário pode arranjar problemas
somente com a prestação do serviço.
Para um passeio a cavalo, a rigor, deveria ser pedido
um termo de responsabilidade isentando o hotel de
qualquer tipo de incoveniente, mas se fizermos isso
ninguém faz o passeio. Nós avisamos,
tentamos minimizar. Mas na área rural tem
muito mato, pode ter cobra, insetos que picam e
podem causar alergia, enfim vários fatores
que podem causar problemas para o propriétario",
alerta Fábio.
O turismo rural é uma
alternativa concreta de negócio, mas antes
de iniciar os investimentos considere bem as condições.
Projete, dimensione, visite algumas propriedades
e não queira começar com a mesma estrutura
de quem já está há anos no
mercado. Lembre-se: transformar uma propriedade
leva tempo, portanto não tenha receio de
crescer devagar, pelo contrário, use essa
condição como uma maneira de se adaptar.
E não se preocupe em contratar pessoal especializado,
a melhor maneira de trabalhar vem com o tempo, o
turismo rural é um aprendizado contínuo. |